quinta-feira, 27 de maio de 2010

Turismo arqueológico

Turismo arqueológico
Cultura e aventura estão na bagagem dos viajantes que querem ter a experiência de participar de escavações em sítios bíblicos.

Patrícia Diguê - Revista Isto É

A rotina não se compara às cenas perigosas vividas no cinema por Indiana Jones, que se depara com caveiras, enfrenta cobras e luta contra conspiradores. Tampouco os objetos buscados se igualam à arca perdida que contém os dez mandamentos de Moisés ou ao mítico Santo Graal. Mas é possível sentir o gostinho da aventura de entrar em sítios arqueológicos bíblicos de verdade e ser arqueólogo por alguns dias, participando de escavações como um turista. A alta temporada para os “arqueoturistas” começa agora, no verão no Hemisfério Norte, e os locais de visitação se concentram basicamente no Oriente Médio. Localidades onde Jesus protagonizou milagres, onde nasceram os apóstolos e onde Davi venceu Golias fazem parte dos roteiros.

Não é necessário ser profissional ou estudante de áreas como arqueologia, antropologia ou história. Qualquer pessoa a partir de 16 anos pode integrar grupos de escavação. O trabalho é duro e consiste basicamente em cavar, carregar cestos de terra e cacos e limpar as peças encontradas, bem como assistir a palestras a respeito do tema estudado. Mas é recompensador para quem quer conhecer a história além dos livros. “Estar na escavação me fez experimentar uma cultura de milhares de anos atrás como se hoje ela ainda estivesse viva”, diz o americano Christopher Davidson, 32 anos, estudante de direito e soldado. Ele é morador de Boston, nos Estados Unidos, e esteve em Tel Dor, em Israel, um importante sítio na costa do Mar Mediterrâneo, entre Tel-Aviv e Haifa.

O Brasil não tem agências especializadas em turismo arqueológico bíblico. Mas é possível comprar pacotes no Exterior. A maior entidade deste ramo no mundo é a americana Biblical Archaeology Society (Sociedade de Arqueologia Bíblica), que lança programas anualmente – ela se refere aos turistas como voluntários. Este ano, são cerca de 30 opções, entre Israel e Jordânia. Mas também há sítios na Bulgária, na Itália e na Espanha. As inscrições na Sociedade custam cerca de US$ 50 e o preço das viagens varia entre US$ 250 e US$ 3.500, dependendo do local, do tempo de permanência e do que está incluído. As universidades responsáveis pelo trabalho in loco acompanham os “arqueoturistas”. Cada sítio chega a abrigar 200 voluntários numa temporada. O Archaeological Institute of America (Instituto Arqueológico da América) também promove viagens às regiões de escavação, mas, nos programas, os turistas não colocam a mão na massa e apenas visitam os sítios. O diferencial desses roteiros em relação aos pacotes turísticos regulares é o interesse arqueológico do grupo e o acompanhamento de profissionais da área durante toda a viagem.

O arqueólogo brasileiro Jorge Fabbro, especialista na Síria e na Palestina, fez três viagens para Israel como “arqueoturista”. “É uma aventura deliciosa”, diz ele. Na primeira vez, em 2005, esteve em Tel Dor, na costa mediterrânea; em 2006, em Mejiddo, um vale ao norte de Tel-Aviv; e em 2008, em Jerusalém. Ele lembra da emoção de ter encontrado um fragmento de uma banheira assíria de pedra em Tel Dor, uma evidência do domínio assírio na Palestina no século VIII a.C. “O prazer de trazer à luz um objeto que esteve enterrado por quase três milênios é indescritível”, conta ele. Fabbro diz que as viagens propiciaram a ele a oportunidade de trocar experiências, de conhecer pessoas de vários lugares do mundo e de se aprimorar no seu ofício. “O contato com o solo, o ar, a temperatura, os odores, as cores, os cenários onde ocorreram os fatos são fundamentais para entendê-los”, acredita o arqueólogo.

Os “arqueoturistas” são considerados peças relevantes para a sustentabilidade dos programas. Não só pelo suporte financeiro às escavações, mas também porque ajudam a ampliar a consciência sobre a importância das heranças arqueológicas. É uma forma de preservar os sítios, uma vez que as visitas acabam incentivando a criação de leis de proteção e o combate aos saques. A história sai ganhando.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Professores descobrem fóssil do maior predador já conhecido no RS



Fonte: UOL

O fóssil do predador gigante foi encontrado no município de Dona Francisca (RS);
Pesquisadores da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) encontraram um fóssil quase completo de um predador gigante de aproximadamente 238 milhões de anos. A descoberta ocorreu em um terreno no município de Dona Francisca, na região central do Estado do Rio Grande do Sul há cerca de trinta dias e foi apresentada nesta segunda-feira (10) pelo paleontólogo Sérgio Cabreira e pelo biólogo Lúcio Roberto da Silva.

O fóssil quase completo do tecodonte Prestosuchus chiniquensis, de aproximadamente sete metros de comprimento e 900 quilos de peso, representa um dos mais importantes achados deste grupo de répteis, que é considerado um grupo ancestral dos dinossauros e aves. “Este é o maior esqueleto e em melhor estado de conservação já encontrado”, afirma Cabreira.

“Esse achado tem enorme importância, com repercussão internacional, porque o conjunto completo pode nos dar informações amplas sobre este animal. Há diversos achados espalhados que se julga serem partes de prestosuchus. Agora, com todos os ossos, podemos certificar que realmente são desse tecodonte”, afirma o paleontólogo.

Os pesquisadores integram um projeto em associação com o Museu de Ciências Naturais da Universidade, que tem como objetivo a constituição de um amplo acervo fossilífero e também a implementação de atividades de museologia.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Mais planetas...

Telescópio Kepler descobre cinco novos planetas fora do Sistema Solar

Do UOL Ciência e Saúde

Lançado em março de 2009 para rastrear planetas parecidos com a Terra fora do Sistema Solar, o telescópio espacial Kepler, da Nasa (agência espacial americana), fez suas primeiras descobertas. O equipamento identificou cinco novos exoplanetas, batizados de Kepler 4b, 5b, 6b, 7b e 8b. A novidade foi anunciada nesta segunda-feira (4) em evento da Sociedade Astronômica Americana, em Washington.

Chamados de "Júpiters quentes" por causa de sua massas e altas temperaturas, os recém-descobertos planetas têm entre 2.200 e 3.000 graus Fahrenheit. Segundo cientistas, o calor torna improvável a existência de alguma forma de vida neles. Os cinco exoplanetas giram em órbita de estrelas maiores e mais quentes que o nosso Sol.

domingo, 3 de janeiro de 2010

A descoberta dos primeiros europeus

Há 7 000 anos, muito antes que gregos e romanos erguessem suas civilizações, povos que ocuparam o vale do Rio Danúbio alcançaram um notável desenvolvimento na organização social, na agricultura e no comércio

Laura Ming (Revista Veja)


Uma série de explorações arqueo-lógicas feitas no vale do Rio Danúbio, território hoje dividido entre a Romênia, a Bulgária e a Moldávia, trouxe à tona novidades surpreendentes sobre os povos da Antiguidade. Entre 5500 a.C. e 3500 a.C., aquele pedaço da Europa foi ocupado por populações com um estágio de desenvolvimento notável para o seu tempo. Elas eram organizadas socialmente, praticavam a agricultura e viviam em cidades que chegaram a ter 2 000 moradias, incluindo prédios de dois andares. Sabiam fundir e moldar o cobre – um grande avanço tecnológico para a época – e o ouro e mantinham relações comerciais entre si. Tudo isso milênios antes que os gregos e os romanos erigissem suas civilizações ou até mesmo que os egípcios construíssem suas pirâmides. Como não dominavam a escrita, não deixaram registros que nos informem como chamavam a si próprios. Os historiadores se referem a eles como os povos da Europa antiga e, para identificá-los, usam o nome atual das regiões que habitaram, como Hamangia, Cucuteni e Varna. Uma coleção de 250 objetos e obras de arte dos povos da Europa antiga pode ser vista até o fim de abril no Instituto para Estudos do Mundo Antigo da Universidade Nova York. Pela primeira vez, a maioria das peças deixa os museus dos países nos quais foram encontradas.

Há um século já se sabe da existência dos povos da Europa antiga, mas apenas na década de 70 foram estudados os sítios arqueológicos que permitiram reconstituir sua história. As descobertas dos artefatos, no entanto, permaneceram ocultas pela Cortina de Ferro comunista até o início da década de 90. Mesmo após a queda do Muro de Berlim, os arqueólogos dos grandes centros mundiais de pesquisa tiveram dificuldade em investigar o assunto porque os estudos só haviam sido publicados em romeno, búlgaro e moldávio. "São línguas que poucas pessoas falam na Europa Ocidental. Esperamos que a exposição faça com que mais cientistas se interessem por esses povos e realizem pesquisas sobre eles", disse a VEJA a arqueóloga americana Jennifer Chi, curadora da mostra.

Ainda há muito a descobrir a respeito dos povos da Europa antiga. Sabe-se que migraram de regiões onde hoje estão a Grécia e a Macedônia e que cultivavam trigo e cevada, além de criar gado bovino e ovelhas. Os grupos eram independentes e, provavelmente, falavam várias línguas. Mas mantinham um comércio ativo uns com os outros. Peças feitas de um tipo de concha Spondylus, que existe apenas no Mar Egeu, foram encontradas na Polônia e são o registro arqueológico mais antigo de comércio a longa distância. Acredita-se que, na época, pulseiras e colares feitos com essas conchas fossem tão valiosos quanto os confeccionados com ouro e simbolizassem alto status social.

A peça que mais causa sensação nos visitantes é a estatueta batizada de O Pensador, pela semelhança com a escultura homônima do francês Auguste Rodin (1840-1917). Entre os povos da Europa antiga, imagens masculinas eram raridade. Já as representações de mulheres são comuns. Os corpos estilizados eram vistos como símbolos femininos divinos que trariam fertilidade para os homens e para as terras. Como uma sociedade tão evoluída desapareceu do mapa permanece um mistério. Os historiadores apostam numa invasão de suas terras por guerreiros nômades vindos do norte e também em mudanças no clima da região que teriam inviabilizado a agricultura. Os estudos sobre as mais antigas civilizações da Europa, concordam os cientistas, estão apenas no início.

Super Terra

Um grupo de astrônomos do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica, nos Estados Unidos, descobriu um planeta com uma massa seis vezes maior que a da Terra e que pode ter 75% de sua superfície coberta de água, além de uma atmosfera gasosa. A descoberta do planeta, que é um dos que mais se parece com o nosso até então, foi publicada nesta quinta-feira pela revista especializada Nature.

A "Super-Terra", como está sendo chamado o planeta batizado de GJ 1214b, está a 42 anos-luz de distância e em outro sistema solar. Sua relativa proximidade torna possível estudá-lo a ponto de determinar sua atmosfera, informaram os cientistas. "Isso faria desse planeta a primeira 'Super-Terra' com atmosfera confirmada - mesmo que esta atmosfera não seja boa para a vida como a conhecemos", explicou David Charbonneau, que coordenou a equipe de pesquisa.

O GJ 1214b tem uma órbita de 38 horas em torno de uma estrela pequena e fraca, com cerca de um quinto do tamanho do Sol. A temperatura do novo planeta, no entanto, é muito alta para abrigar formas de vida como as terrestres, já que os cientistas calculam que ela gira entre 120 e 280 graus Celsius.

A maior semelhança com a Terra está na densidade, apontam os cientistas. As descobertas até agora sugerem que o planeta recém descoberto é composto por cerca de três quartos de água e gelo e um quarto de rocha. "Apesar de sua temperatura alta, este parece ser um mundo de água", disse Zachory Berta, estudante que primeiro identificou indicações da presença do planeta.

(Com agência France-Presse)

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Arqueólogos encontraram residência de cerca de 2 mil anos

Arqueólogos encontram casa da época de Jesus em Nazaré
Da BBC Brasil

Arqueólogos israelenses revelaram nesta segunda-feira que encontraram os restos da primeira residência encontrada na cidade de Nazaré, no norte de Israel, que pode ser da época de Jesus Cristo.

De acordo com o jornal israelense Haaretz, a descoberta fornece mais dados sobre como era a vida na cidade de Nazaré há cerca de 2 mil anos.

A casa provavelmente fazia parte de um pequeno vilarejo com cerca de 50 residências habitadas por judeus pobres.


Uma porta-voz da Autoridade Israelense para Antiguidades, Yardenna Alexandre, informou que os restos de uma parede, uma cisterna para coleta de água da chuva e um refúgio foram encontrados depois da descoberta do pátio de um antigo convento.

De acordo com Alexandre, os arqueólogos também encontraram potes de argila, do tipo que era usado pelos moradores da Galileia (região onde hoje fica o norte de Israel) na época, uma indicação de que a casa pertencia a uma família judia simples.

"É provável que Jesus e seus amigos de infância tenham conhecido a casa", afirmou a porta-voz em entrevista.

"A partir das poucas provas escritas disponíveis, sabemos que a Nazaré do primeiro século da era cristã era um pequeno vilarejo judeu localizado em um vale", disse Alexandre, acrescentando que até agora "poucas sepulturas da época de Jesus foram encontradas, mas nunca encontramos os restos de residências daquela época".

Um poço também foi encontrado, e os arqueólogos calculam que ele foi construído como parte dos preparativos dos judeus para a Grande Revolta contra os romanos, entre os anos de 66 e 73 d.C.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Sorriso amarelo

Estudo revela que os nobres egípcios da Antiguidade sofriam com as consequências da falta de higiene bucal

André Julião (Revista Isto É)

Se uma dor de dente pode acabar com o dia de alguém no século XXI, é de se imaginar o sofrimento que uma inflamação dentária causava em um morador do Egito Antigo milênios antes da invenção da broca e do creme dental. Uma pesquisa realizada na Universidade de Zurique, na Suíça, concluiu que dentes gastos e abscessos eram o terror daqueles tempos. Trata-se do primeiro estudo aprofundado da saúde bucal de faraós e outros membros da nobreza, feito a partir de uma revisão de pesquisas realizadas em três mil múmias desde 1977. Tais estudos só são possíveis graças às técnicas de mumificação egípcias, capazes de preservar dentes ao longo de milênios.

O levantamento confirma algo que os arqueólogos já suspeitavam. No Egito Antigo, o trigo era processado em moedores de pedra, o que fazia com que pedaços de rocha se soltassem e se misturassem à matéria-prima com a qual o pão era feito. Como alimento abundante sempre foi privilégio dos mais ricos, os nobres tinham as bocas mais prejudicadas. “Quanto mais alta a posição social, pior eram os dentes”, explica o egiptólogo Antônio Brancaglion, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.



Tantos dentes gastos e quebrados aumentavam a demanda por especialistas, o que fez do Egito a terra dos melhores dentistas do Mediterrâneo durante a Terceira Dinastia, por volta do ano 2300 a.C. Já naquela época, os médicos eram divididos em cirurgiões, oftalmologistas, veterinários e dentistas. Graças a seu talento e perícia, muitos deles iam trabalhar em outras cortes, que reconheciam seu talento no tratamento de doenças e fraturas. Além de extrair dentes quebrados e podres, os dentistas da época drenavam abscessos e faziam até pontes dentárias, prendendo um dente solto a outro saudável. “Eles usavam fios de metal, normalmente ouro, para fazer esses anéis”, diz Brancaglion. Vale lembrar que uma infecção na boca poderia levar à morte na era pré-antibióticos.

O estudo suíço também revela as outras utilidades das arcadas dentárias dos egípcios. Segundo os pesquisadores, os trabalhadores usavam os dentes como ferramenta para segurar cordas, no caso dos pescadores, e para esticar couro, numa profissão que hoje seria equivalente à de um sapateiro. Pobres ou ricos, porém, dividiam a mesma carência de higiene bucal. “Eles usavam um talo de papiro ou junco para tirar os restos de alimentos dos dentes e depois enxaguavam suas bocas. Só isso”, afirma Brancaglion. Mesmo numa época em que o abismo entre ricos e pobres era tão grande ou maior do que hoje, todos dividiam a mesma dor.